Metade dos celulares baratos anuncia memória que o aparelho não tem. Você lê "12 GB de RAM" na capa do anúncio e, na letra miúda, descobre que são 4 GB reais mais 8 GB emprestados do armazenamento. Foi a primeira coisa que apareceu quando separamos os melhores aparelhos abaixo de mil reais.
Esta lista é a nossa escolha, não um ranking de vendas do marketplace. Chegamos a ela por um caminho que dá para conferir, e ele está logo abaixo.
Como escolhemos estes dez
Partimos de todos os smartphones anunciados abaixo de mil reais no Mercado Livre e aplicamos três cortes, nesta ordem:
- Fora os patrocinados. Doze anúncios da primeira página eram publicidade paga. Posição comprada não é sinal de qualidade, e nenhum deles entrou por esse caminho.
- Nota 4.7 ou mais na avaliação de quem comprou, que é o piso abaixo do qual reclamação de defeito começa a aparecer com frequência.
- Pelo menos mil unidades vendidas no anúncio, para não recomendar aparelho que ninguém testou na vida real.
Sobraram vinte modelos. Destes escolhemos dez, cada um com um papel diferente, para você achar o seu sem ler a lista inteira. Os preços foram conferidos à mão em 6 de setembro de 2026, e cada card mostra a data da medição. Se um bloco de produto não aparecer, o anúncio saiu do ar, e o que está escrito sobre o modelo continua valendo.
Qual o melhor celular até R$ 1.000?
O Motorola Moto G35 5G, na nossa seleção. Ele é o único da lista que junta três coisas que normalmente não cabem juntas nessa faixa: 5G, 256 GB de armazenamento e NFC para pagamento por aproximação. A tela de 6,7 polegadas tem modo de brilho reforçado, que resolve o problema de enxergar o telefone no sol. A memória é o ponto fraco, 4 GB reais com mais 8 GB virtuais, e é ela que vai reclamar se você deixar quinze aplicativos abertos.
Se o que pesa para você é a tela, a escolha muda. O Samsung Galaxy A17 5G traz painel Super AMOLED, e a diferença aparece na hora em que você assiste a qualquer coisa: preto de verdade, cor mais viva e brilho melhor no sol. Ele também pega 5G, tem NFC e câmera de 50 MP com recursos de inteligência artificial. Em troca você fica com 128 GB, metade do armazenamento do Moto G35.
Os aparelhos de entrada que valem o dinheiro
O Samsung Galaxy A07 é a aposta mais segura da faixa. Passou de cem mil unidades vendidas no anúncio, mantém nota 4.9, e entrega o básico bem feito: 128 GB, tela de 6,7 polegadas e câmera de 50 MP. Não tem 5G nem NFC, e é honesto sobre isso, sem número inflado no título. Para quem usa banco, mensagem e rede social, sobra aparelho.
Quem quer gastar o mínimo tem no Motorola Moto G06 o piso da lista. É o mais barato dos dez, com folga, e ainda assim traz 128 GB e a interface limpa que a Motorola mantém há anos, sem a camada de aplicativos que as rivais instalam. Ele é 4G e a tela é comum, então o sacrifício está na experiência de assistir vídeo, não no funcionamento do dia a dia.
Entre os dois extremos fica o Motorola Moto G15, que dobra o armazenamento para 256 GB sem sair da faixa. Tem bateria de 5.200 mAh, tela Full HD de 6,7 polegadas e NFC, e é o segundo da lista a passar de cem mil vendas. Para quem grava vídeo e nunca apaga foto, é aqui que a conta começa a fechar.
O único com memória real de 8 GB
Esta é a exceção que dá nome ao problema da lista. O Samsung Galaxy A07 de 256 GB é o único dos dez que anuncia 8 GB de memória sem somar armazenamento virtual ao número. Tem também proteção IP54 contra respingo e processador de 6 nanômetros, que gasta menos bateria. Sem 5G e sem NFC, ele troca conectividade por folga de memória, e é a escolha de quem deixa muita coisa aberta ao mesmo tempo.
Bateria, tela, câmera e espaço: os quatro especialistas
O OPPO A6t tem a maior bateria da seleção, 6.500 mAh, e essa é a razão de existir dele aqui. Quem passa o dia fora de tomada, dirige por aplicativo ou trabalha na rua sente a diferença mais do que sentiria com um processador melhor. O número de memória no título é somado, como na maioria, e a marca é menos conhecida por aqui, o que pede um olhar na reputação do vendedor antes de fechar.
O Realme C73 é o único da lista com tela de 120 Hz. Rolagem e animação ficam visivelmente mais suaves, e é o tipo de detalhe que você não desconhece depois de experimentar. Ele soma ainda 6.000 mAh de bateria, então junta as duas vantagens numa faixa em que normalmente se escolhe uma.
Já o Motorola Moto G17 chama atenção pela câmera, que usa sensor Sony Lytia 600, peça incomum nessa faixa de preço. A tela é Full HD, a bateria tem 5.200 mAh, e o número de memória no título é somado, como de praxe. Vale para quem fotografa bastante e não quer subir de faixa por causa disso.
O TCL 605 é o modelo com 256 GB mais barato da seleção inteira, e chega a custar menos que aparelhos com metade do armazenamento. A marca é forte em televisão e pouco conhecida em celular no Brasil, o que explica o preço. Foi o único da lista com nota 4.7, o nosso piso, e o título dele anuncia 14 GB de memória, o número mais inflado que encontramos. Entra pela combinação de espaço e preço, com essa ressalva na mesa.
Qual deles serve para você?
A tabela cruza o jeito como você usa o telefone com o que exigir do anúncio, e aponta o modelo da lista que atende.
| Se você | O que exigir | Da nossa lista |
|---|---|---|
| Quer o melhor conjunto | 5G, 256 GB e NFC | Moto G35 5G |
| Assiste vídeo no celular | Tela Super AMOLED | Galaxy A17 5G |
| Só usa banco e mensagem | 128 GB e nota alta | Galaxy A07 |
| Quer gastar o mínimo | Marca conhecida e sistema limpo | Moto G06 |
| Nunca apaga foto nem vídeo | 256 GB | Moto G15 ou TCL 605 |
| Deixa tudo aberto ao mesmo tempo | 8 GB de memória real | Galaxy A07 de 256 GB |
| Passa o dia longe da tomada | Bateria de 6.000 mAh ou mais | OPPO A6t ou Realme C73 |
| Fotografa bastante | Sensor de câmera de marca | Moto G17 |
Dois padrões saltam da tabela. Apenas dois dos dez pegam 5G, então quem faz questão da rede nova tem escolha curta abaixo de mil reais. E seis vêm com 128 GB contra quatro com 256 GB, o que explica por que tanta gente troca de telefone reclamando de espaço antes de reclamar de lentidão.
O truque da memória somada
Vale entender o número que abre este guia, porque ele decide compra. Memória virtual é um pedaço do armazenamento que o sistema usa como se fosse RAM quando a RAM real acaba. Ajuda a manter aplicativo aberto em segundo plano, e o fabricante tem direito de citá-la, mas ela é mais lenta que memória de verdade e consome o espaço que você comprou para guardar foto.
Como ler o anúncio sem cair na conta somada: procure a expressão entre parênteses, do tipo "4 GB + 8 GB", ou as palavras RAM Boost, RAM Virtual e memória expandida. O primeiro número é o que o aparelho tem de verdade. Nesta seleção, cinco anúncios declaram a soma no próprio título e um informa só o total, sem abrir a conta.
O que conferir antes de fechar
Celular é a categoria com mais armadilha de anúncio do marketplace, e cinco checagens evitam quase todas.
- A variação que está no preço. Cor e capacidade mudam o valor, e o número em destaque costuma ser o da versão mais barata.
- Versão nacional ou importada. Aparelho sem homologação da Anatel pode ficar sem sinal em algumas operadoras e não tem garantia no Brasil.
- Reputação do vendedor, e se o anúncio é da loja oficial da marca, o que muda o caminho da assistência técnica.
- O que vem na caixa. Muitos modelos já não trazem carregador, e o acessório comprado à parte come a economia.
- Garantia e prazo de devolução escritos no anúncio, nunca deduzidos da marca.
A entrega merece atenção à parte. O selo de logística do marketplace muda prazo e caminho da devolução, e o que o Full altera de verdade pesa mais em celular do que em qualquer outra categoria, porque devolver eletrônico com defeito é onde a paciência acaba.
Desconto grande é rotina nesta categoria, e boa parte dele mora no valor riscado, que em eletrônico costuma ser o de tabela e não o que alguém pagou. Passe o anúncio pelas cinco checagens que revelam desconto de mentira antes de decidir.
Quando nenhum destes serve
Abaixo de mil reais existe um teto que nenhuma escolha esperta contorna. Câmera com pouca luz, jogo pesado em gráfico alto e atualização de sistema por muitos anos são as três coisas que essa faixa não entrega, e prometer o contrário seria desonesto.
Se qualquer uma das três for essencial para você, o caminho é subir de faixa ou esperar. Celular tem estação: lançamento novo empurra a geração anterior para baixo, e é ali que mora o melhor negócio da categoria. Os produtos que saem da promoção passam por uma segunda medição no dia seguinte, e aqueles cujo preço subiu ficam expostos nas ofertas perdidas, que é o melhor retrato de quanto desconto de eletrônico dura.
Para ver o que está com desconto ativo agora na mesma prateleira destes dez, a vitrine de Celulares traz a leva do dia com cada preço medido à mão e datado.
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